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Impedido de entrar nos Estados Unidos, árbitro retorna à Somália e é recebido como herói

Omar Artan, árbitro com patente da Fifa, estava escalado para trabalhar na Copa do Mundo de 2026 em território norte-americano.

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Árbitro da Copa do Mundo da Somália, que foi impedido de entrar nos Estados Unidos, chegou nesta quarta-feira (10) à capital Mogadíscio, onde foi recebido por uma multidão de apoiadores e autoridades.

Omar Artan estava prestes a se tornar o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo, após ser incluído na lista final da Fifa para o torneio. Ele é considerado um dos principais árbitros da África e foi eleito o melhor árbitro masculino do continente em 2025.

No sábado (6), ele foi barrado no Aeroporto Internacional de Miami por “questões de verificação”, segundo o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, sem detalhar quais eram essas preocupações. A Fifa, em seguida, o retirou da lista de árbitros do torneio.

De acordo com a Embaixada da Somália no Quênia, que processou o visto, Artan havia recebido autorização para viajar aos EUA na semana anterior.

Ele retornou a Mogadíscio com uma recepção de herói no aeroporto, onde agradeceu ao governo e ao povo da Somália, além da Fifa, pelo apoio.

“Prometo a vocês, se Deus quiser, que estarei presente na próxima edição”, disse ele, enquanto centenas de apoiadores agitavam bandeiras da Somália. “Quero que o público somali se conforte com isso e mantenha a confiança.”

A decisão incomum dos EUA de negar a entrada a um árbitro nomeado pela Fifa para atuar em um país-sede da Copa gerou indignação mundial e levantou dúvidas entre alguns torcedores sobre a capacidade dos Estados Unidos de sediar a competição.

Ainda não se sabe os motivos dessa expulsão, já que Artan possuía visto válido, disse Ciise Aden Abshir, assessor do Ministério da Juventude e Esportes somali.

Somália está entre quase 40 países sujeitos às novas restrições de viagem impostas sob a política de imigração do governo Trump.

Na mira de Donald Trump, a Somália é um dos vários países cujos cidadãos estão sujeitos a uma proibição de viagem aos Estados Unidos, imposta pelo governo Trump. No final de novembro, o presidente americano descreveu o país como "podre" e declarou sua intenção de acabar com o status especial que protege os cidadãos somalis da deportação.

Retirado do quadro da Fifa

 

O árbitro somali Omar Artan foi retirado do quadro de árbitros da Copa do Mundo de futebol após ele ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos, informou a Federação Internacional de Futebol (Fifa) nesta segunda-feira (8).

“A Fifa pode confirmar que o oficial de arbitragem Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento”, afirmou a federação.

No quadro da Fifa desde 2018, Artan atua na liga da Somália e foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.

Artan "é um dos árbitros mais respeitados da África e (...) negar sua entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de trabalhar (...) prejudica não apenas a ele pessoalmente, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play", lamentou Abshir. "A comunidade do futebol deve apoiá-lo neste momento difícil", acrescentou o assessor, que é ex-capitão da seleção da Somália.

Omar Artan seria o primeiro árbitro somali a apitar jogos de Copa do Mundo. Aos 34 anos, ele estava entre os 52 árbitros selecionados para trabalhar na edição deste ano do torneio, organizada em conjunto por Canadá, México e Estados Unidos.

O governo Trump não havia se manifestado publicamente sobre o caso até a última atualização desta reportagem.

g1.globo.com

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